quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A infeliz cara da sociedade


"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com a sua ignorância." Galileu Galilei




“Na cara da sociedade”, assim começa o artigo publicado na Folha de São Paulo, que segundo ele, uma nova pesquisa do Ibope indica o deputado e candidato a reeleição, Tiririca (PR) aponta na frente das intenções de voto.

Nada contra a pessoa do deputado em questão, isso não é o foco aqui e nunca será! Políticos como Tiririca, são nada mais do que o reflexo da irresponsabilidade, da consciência corrompida, da deficiência moral, cultural, ética, e intelectual da maioria da sociedade brasileira. 

Um verdadeiro paradoxo que anda de mãos dadas com a hipocrisia, pois o mesmo povo que foi ás ruas protestando supostamente por mais saúde, educação e segurança, esse mesmo povo quer melhorias, mas na prática, na hora da escolha dos representantes designados para tais reivindicações, prova exatamente o contrário.

Voltando ao Tiririca, dentro do contexto político atual, ele é uma figura icônica, que não só representa, mas como também testifica a máxima proferida pelo falecido Drº Enéas Carneiro: “A classe política brasileira é representada pela escória da sociedade”, lógico, existem exceções, mas não há como contestar a veracidade dessa máxima (1).

Noções básicas de cultura política, do discurso. O professor Olavo de Carvalho em seu livro “Aristóteles em Nova perspectiva” nos mostra que, dentro de uma perspectiva aristotélica, temos quatro discursos, o poético, o retórico, dialético e o analítico, são discursos distintos que visam determinar a credibilidade do que se fala (2). Gente como a figura em questão, não sabem o mínimo, o básico para se expressar, mal lêem, mal escrevem. O senhor em questão já está terminando o seu mandato de quatro anos sem ao menos ter feito sequer um único discurso na tribuna. 

Sinto muito, mas ainda paira sobre nós o fantasma da concepção de que no Brasil, a política é uma válvula de escape para os cidadãos que fracassaram na vida profissional e por não ter outra opção, optam pela política simplesmente com o intuito de ganhar dinheiro.

Figuras como a supracitada, representam o quanto à mentalidade da sociedade brasileira precisa mudar em relação à política.  Enquanto ainda existir a mentalidade que, prefere-se o ex-jogador de futebol ao capacitado militar que heroicamente defendeu o país, prefere-se o ex BBB ao invés do cientista e o palhaço ao invés do professor, o terrível quadro em que estamos não mudará, aliás, só irá piorar.



Notas e fontes:

1- https://www.youtube.com/watch?v=VgLVM7CNa70;

2- CARVALHO, Olavo de. _ Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos Quatro Discursos/Olavo de Carvalho – Campinas/SP, Vide Editorial, 2013 

http://painel.blogfolha.uol.com.br/2014/09/17/tiririca-russomanno-e-maluf-lideram-para-deputado-em-sp-feliciano-e-o-5o/

6 comentários:

  1. Ótimo texto, Ismael, e devo acrescer que, com o modelo de notas de rodapé e paráfrases, seu artigo tem ares acadêmicos, parabéns! Aqui em minha cidade há outro palhaço: o Palhaço Pirulito, que pela 4ª vez, tenta se eleger. Tem-se discutido muito aqui acerca de candidatura e votação de palhaços, o que significam, qual o valor real da candidatura, e se redunda na mesma conclusão: a presença dum palhaço numa eleição é um pleonasmo da palhaça que é o pleito eleitoral no Brasil.

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    1. Wagner,

      primeiramente, obrigado pelo prestígio!
      Pois é, em minha cidade tem uns "tiriricas" aqui, inclusive alguns conseguiram a proeza de se eleger.
      Sim, uma verdadeira palhaçada!

      Abraço!

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  2. O texto vem de encontro com minhas idéias sobre o assunto. Ismael o achei "PERFEITO", parabéns!!!
    Quanto mais reflito, mas chego a conclusão que o maior problema deste país não é propriamente a "DOENÇA" e sim a "CAUSA". E não vejo remédio que possa curar esta CAUSA a curto prazo, e para ser bem sinceira ao longo da minha vida tem sido sempre assim e a ignorância deste povo cresceu e cresceu até o estado "terminal".
    Certa vez comentei que dar o voto na mão de pessoas despreparadas era como dar uma arma na mão de uma criança para brincar. Recebi em troca uma saraivada de blá,blá,blá sobre DEMOCRACIA. Ok! Então em nome desta "democracia" muitos brasileiros vivemos e continuaremos vivendo com o resultado das péssimas escolhas causadas pela (como dizia o Dr. Enéas) "escória da sociedade" até não restar mais nada para salvar. Achou trágico? Basta dar uma boa olhada no quanto este país se degradou... E já que por tudo isso estamos com um pé (ou dois), no bolivarismo: pues "QUE VIVA LA DEMOCRACIA!!"

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    1. Núria,

      estou lisonjeado pelas suas palavras, e perfeito é o seu comentário. E eu vou novamente "roubar" a frase do Wagner: Onde assino?

      Abração!

      Volte sempre!

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  3. Existe uma coisa simples que nos foi (e é) sonegada no Brasil e omitida no ensino (que deveria ser reflexivo) de História: a base e o que mantém uma democracia é a Educação, e era por essa razão que na democracia grega antiga os estrangeiros, mulheres, adolescentes, analfabetos e escravos não podiam participar das plenárias, posto que a democracia helênica era direta, exigindo do participante grau de instrução apurado sobre humanidades. Aqui a coisa é totalmente grotesca, aberrante. Acho que é o único lugar no mundo que acha que primeiro se resolve questões materiais pra depois resolver a questão da cultura e da educação, quando na verdade, todos os países desenvolvidos (inclusive na Antiguidade) fizeram o inverso. A democracia daqui não passa de um embuste.

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